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De quem é a culpa?

Júlio Martins

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Há no futebol uma espécie de regra, quase um mito, de que quando um time ganha os jogadores levam todo o mérito pra casa. Se superaram e entenderam exatamente o que o treinador pediu a eles. Dependendo de como tudo acontece, geralmente um jogador sai de campo praticamente carregado por imprensa e jogadores. Quando a derrota vem, normalmente o nome mais lembrado é o do treinador. Ou porque mexeu errado ou porque escalou mal, algo assim. Até que ponto essas teses estã corretas? Até que ponto vai o mérito e o demérito de cada um? Bom, há nessa história toda uma complexidade que gastaria algumas laudas, talvez sem chegar a lugar nenhum ou, na melhor das hipóteses, várias teorias surgiriam, todos com algum fundamento. Mas onde quero chegar com isso?

Quero dizer a vocês o que penso especificamente sobre uma partida, sobre um time e um momento específicos. A primeira vitória do Grêmio - que de tanto demorar já esgotou a paciência de todos - estava muito próximo. O Tricolor jogava fora, diante de um adversário que geralmente não vence em casa, virou o jogo na metade do segundo tempo e, quando todos pensavam que a vitória "histórica" viria, eis que surge o "dedo podre" de Paulo Autuori. Bom treinador, excelente estrategista e estudioso do futebol. Cheio de convicções e, acima de tudo, convicto de que estam têm razão de ser, ele resolveu tirar seu principal homem de ataque, autor de dois gols, aquele que mais riscos oferecia à defesa adversária, para colocar um volante. Mas não se trata da típica "retranca amiga" que se arma para segurar um resultado, não. E sabem por que? Porque Makelelê é um dos mais retumbantes fracassos da história recente do Grêmio. Eu usaria uma das mãos para contar quantos jogadores foram tão minúsculos na trajetória deste clube duas vezes Campeão da América e uma vez do Mundo. Veio por indicação de Celso Roth e devia ter ido com ele, assim como outras malas que espertamente a direção se desfez. A entrada de Makelelê em campo era o anúncio de que "o fim estava perto". Neste caso "o fim" seria deixar escapar por entre os dedos uma vitória tão aguardada, tão badalada... Tudo bem que o gol saiu numa bola chutada de bola que desviou e matou o goleiro, mas a resolução de abdicar do ataque, de ter qualidade na frente e de levar perigo contra o gol adversário foi de Autuori. Dizer que os jogadores deveriam ter "valorizado mais a posse de bola" é o principal atestado dado por Autuori do equívoco que cometeu. Assumir que "andou pra trás", que fez a escolha errada no momento errado o faria um pouco mais humilde e talvez isso pudesse trazer de volta as vitórias que o Grêmio esqueceu como se conquista longe do Olímpico.

Eis aí um fato que comprova a tese de que quando o time perde, o culpado é o técnico. Na prática, Autuoria mostrou que a teoria - pelo menos dessa vez - tem sua razão de ser.

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