Me Siga

Ambulantes: a polêmica que agitou Santiago

Júlio Martins

Publicado


Acompanhei algumas postagens ontem ainda sobre a questão da notificação entregue pelo setor de fiscalização da prefeitura a um senegalês, mas optei por não me pronunciar por uma questão muito simples: queria analisar melhor a situação antes de sair atirando pra todo lado, como costumo fazer.

Não estou aqui para criar polêmicas, até porque outros afazeres não me permitem dedicação total ao blog. Vou apenas opinar e contar um pouco do que vi e ouvi neste começo de semana. Tirem suas conclusões e aí partimos para um debate saudável e salutar.

Vamos partir de um princípio: o senegalês que virou febre no Facebook não foi o único notificado. Além dele, outros três estrangeiros e mais 9 comerciantes de rua que atuam em Santiago também receberam o mesmo aviso, portanto, quem levantou a bandeira do moço - que sim, está trabalhando honestamente para ganhar o pão de cada dia, assim como eu e a imensa maioria dos leitores -, deveria também levantar a bandeira do artesão, do cara que vende brinquedos, do que vende jarras térmicas e assim por diante. 

Ninguém foi proibido de trabalhar gente. Todos foram notificados por não estarem atuando como ambulantes, pois quando se cria um ponto fixo é isso que acontece, você não é ambulante, portanto seu "passaporte" para a função perde o efeito. Vejam os vendedores de redes, por exemplo. Cada dia eles estão em um ponto, mesmo que esse ponto seja próximo ao do dia anterior e do anterior e do anterior ao anterior. Mas eles circulam, por isso são ambulantes.

Prefeito e prefeitura foram metralhados por fazer cumprir a lei. E aqui não tem nenhuma defesa, apenas um parêntese. O Executivo tomou tal atitude a pedido do Centro Empresarial, que representa boa parte do comércio local, que, de acordo com a entidade, está sendo prejudicado por alguns ambulantes que inclusive utilizam vitrines das lojas para vender seus produtos, muitos de procedência até duvidosa. A prefeitura errou sim ao notificar os vendedores antes de apresentar a eles uma solução, mesmo que momentânea. Lógico que no susto todos correram atrás e colocaram a boca no trombone com medo de perder os fregueses conquistados e a renda de suas vendas. Bobeou a prefeitura se já tinha, como foi apresentado hoje, um projeto para reposicionar os ambulantes e deixá-los, digamos, em um ponto comercial central. Mas será que é pra tanto? Em grandes centros quantos vezes já vimos os ambulantes serem "guinchados" sem direito a sequer reclamar.

Não defendo ações arbitrárias, assim como não acredito que alguém vai ser impedido de trabalhar. Entendo que é o processo de ajuste ao qual todos podem se adequar. É possível até melhorar as condições de trabalhos de muitos desde que haja diálogo e que não se faça circo em cima de assunto sério. Jogar pra galera é fácil, difícil é apresentar soluções decentes quando as coisas se tornam mais complicadas.

Durante a sessão da Câmara desta tarde até mesmo vereadores da situação admitiram que "a ação deveria ter vindo antes da reação", mas o fato é que daqui por diante a realidade muda, agradando uns e desagradando outros (talvez mais desagradando que agradando). Em tempos de redes sociais vorazes, o prefeito e seus comandados arriscaram, mas na "coisa pública" isso é muito comum. Não foi o primeiro prefeito a tomar atitude que contraria muita gente, nem será o último. Estão aí as notícias todos os dias com prefeitos, governadores e presidentes tomando decisões nem tão populares assim.

Escreveria mais, mas o texto se tornaria gigante. Sei que uns concordarão, outros discordarão, alguns me chamarão de louco, mas, enfim, o objetivo aqui é opinar e ler as opiniões alheias. Espero por elas, assim como espero que a situação seja resolvida da melhor maneira possível.

Destaques

© 2020 - Júlio Martins