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Mi fuego poético

Júlio Martins

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          Quando eu acho uma desculpa pra desanimar um sonho, percebo o quanto sou ansiosa. É bem verdade que as coisas demoram, diferente do meu Ultrarromantismo que é uma faísca ininterrupta. Ao mesmo tempo que amo, apaixono, odeio e mordo. Ao mesmo tempo que beijo, afago, lasco e como... Como se fosse um doce! É lábio e boca, glicose, fita e fronha... Afronho e selo, um beijo inundado de puro amor e sem-vergonhice. O lábio já treme e arrepia, o toque me disforma, transborda, unta. Minha desculpa para as declarações ultrarromânticas é ser poeta e também um pretexto para culpar o “eu poético” de um jeito que descomprometa minhas segundas intenções eróticas. Ah, todos possuem intenções, yntende? Mas o Sol, ahhh quem dera, o Sol assim tão quentinho que faz o meu peito se encher de graça. Mas a minha desgraça consta na lista das minhas tramoias do bem, todas mal sucedidas. Quando eu via, já eram duas e mal eu sabia das graças. O que me conforma, ainda dos meus sonhos, mesmo que na ausência de dinheiro, eu tenho para escrever todo um poema e de qualquer coisa: do amor, do amor, do amor, do amor. E de tantas outras: do amor, inclusive. Mas quando eu falo 4 vezes a palavra amor, significa que eu despi as fardagens do Ultrarromantismo em quarto ops digo: em quatro. Fardagens, gostei dessa palavra para me levar a pensar numa outra intenção maléfica. Ah, como eu gostaria que fosse bem sucedida e não acontecesse mais que essas palavras aqui bem encorpadas, ops digo: enroupadas. Palavras são enroupadas quando desejam sair do papel e acabam ficando por aqui mesmo. Mas que Sol, que céu de boca azul, que encostas aromáticas, que deserto que me Saara, que tudo nesse mundo pudesse ser a abundância das nossas inspirações pelas coisas que nos fazem bem e nos tragam presença, aconchego, amor! Às vezes, o meu peito se fecha dentro de uma bolha doída de pura tristeza. Por outra, a natureza me contempla e eu não morro amanhã. Eu mordo hoje com leves atassalhadas nos cantos de uma boca mansa.

Venha, venha, dia frio e claro

enroupar minhas timidezes

e arredar meus lábios

num beijo de bocaberta.

m.journée

 

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