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Um exagero de tudo

Júlio Martins

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Lentamente, teu cheiro aromatizado por essência labial. Lentamente, teu toque cheirando a prazer carnal. Literalmente, meu riso inundado de ti. Uma noite dentro de êxtases e psicodelias inventadas. Talvez eu esteja me achando exagerada, mas não vejo isso um motivo em parar por aqui. Vou mais... Talvez eu seja um porre excessivo dos meus próprios desejos, e daí? Quem urge sou eu, quem unta sou eu, quem azeita sou eu, quem transborda sou eu. Deixe-me com o exagero da vida, de tudo. Sim, de tudo! Exagero este que aprisiona a boca e eu fico odiada quando deixo de dizer algo. Não é qualquer coisa que fica morando dentro do peito, e nada de sair entre meus lábios. É coisa séria, excitante e arrebatadora. Algo que eu queria tanto, tanto, tanto. Tipo, mil vezes tanto mesmo. Um exagero de tanto. Enfim... Ultimamente, eu não sei. Ah... Bem, eu não sei dizer, mas eu sei bem! Que confusão, mas estou falando dos meus fantasmas. É como se existisse alguém visualizando a minha vida por dentro, sabe? Sinto-me nua quando isso acontece. Eu não consigo esconder as coisas que já estão guardadas. Bem longe da vida, dos mundos, de tudo. Da normalidade? Não, não.  A normalidade é próxima, é isso. O que me deixa inquieta são essas palavras, mas não repare o dia em que eu sumir, isso não vai acontecer – dentro de mim. Lembro o dia que te conheci, o jeito que as minhas mãos tremiam e o suor que circulava junto ao meu sangue. Aquela reação endotérmica e depois um beijo pra liberar um vulcão exotérmico agarrado aos meus desejos. Quanta queima, mistura e elementos químicos reunidos em corpos de um único espaço. Parece que não precisamos de muito para cair na risada, quando estamos encantados. A imaginação é tão representativa que dormir fazendo carinho no próprio cabelo já se faz graça. Ser um exagero de emoções é possuir o dom de ouvir as batidas do próprio coração. A vida é mais do que a representação da nossa imaginação. Ela é um possuidor de tudo.

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