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Uma Inspiração Utópica

Júlio Martins

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Estou com uma inspiração que não sai em nenhuma reação exotérmica. Eu tento, gesticulo as sobrancelhas, respiro rasamente, retorço as artérias que envolvem meu pescoço e não consigo encorajar a imaginação catastrófica. Mas o que é isso? Que maldito fantasma covarde habita meu espaço interior? Qual a solução pra dissolver tantas reações em um texto só? Calma... Eu sei, meus dedos dobram as coisas que tenho a escrever e o sangue forma coágulos entre uma e outra célula cardíaca. Poxa! Isso tudo é utopia e os aliens sabem disso também. Como não conseguir escrever a treta de sexta? Meus leitores, meu leitor, um ou alguns mais que mil, como deixá-los sem explosões? Tudo bem, vou olhar algumas fotografias de jardins, de flores e pode ser que... Ai, céus! Flores, isso sim! A mim, agora, resta-me alguns punhados de crisântemos e seu aroma incessante nas raízes dos meus vasos sanguíneos. Um cemitério? Sim, a morte póstuma da utopia que acovarda a minha última inspiração. Detalhe que não veio nenhuma outra depois. Sabem por quê? Pois eu aguardo o meu texto aqui, com a inspiração merecida dos últimos dias. Está complicado, a cada linha que passa, mais intrincado. E seu eu der uma olhadinha, bem rápida, apenas para registra um olho? Vocês não vão acreditar que não foi em vão! Não olhei não, aguentei. Firme e rígida, encasulada e deu certo. Vou escrever mais algumas linhas, eu acho. Minhas mãos tremem a alça da xícara em sincronia com as sístoles e diástoles. Voltando a inspiração e arredando as minhas partes sintomáticas... Ah, aqueles olhos que surtem efeitos inebriantes em tons de cinzas meio apagados, causam-me tédio em pensar que daqui algumas linhas terei de finalizar essa treta-feira. É bem assim, inspiração mal acabada, mal escrita, mal formada, vira uma enrolação em torno dos próprios sentimentos. Já vi que não conseguirei render páginas por aqui, neste exato momento. Mas eu gostaria de seguir a outras preliminares que enchessem meus olhos de palavras bem coloridas, que tornassem o corpo do texto bem torneado, que os pontos de exclamações fossem do Auge até o G. Mas que jeito, se a única correspondência não passa de um olho ao outro? Olhar este virado em utopia também. Ah! Que bosta de inspiração misturada com surrealismo e auto ficção impensada. Bem verdade, os autores são bem assim, acredito. Às vezes ficam tão putos da cara com a própria inspiração, que enrolam, enrolam, enrolam e terminam tudo em nada. O texto ganha outro sentido, mas as olhadinhas seguem para uma próxima jornada. Acordei. Nossa, quase meio dia de sexta. Poxa! Tenho que escrever a crônica de hoje para a Conteúdos Criativos. Que sonho bizarro que eu tive! Nossa, céus, o que é isso aqui? A única inspiração catastrófica que habita as minhas reações endotérmicas são as mesmas que me levam a escrever nada quando eu penso em outras coisas.

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