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Dever de casa é pra ser cumprido

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Aí está uma velha máxima do futebol que o Internacional vem cumprindo à risca: vencer em casa. Nem sempre isso é tarefa fácil, mas quando isso acontece tudo muda. E não estou falando apenas da tabela de classificação. Vai muito além dos três pontos. Muda o jeito de jogar do time, tira um tanto da pressão que existe numa arrancada pesada de Brasileirão em meio à disputa da Libertadores, enche o torcedor e o grupo de entusiasmo.

Quem me acompanha no dia a dia sabe o quanto sou crítico ao trabalho do Odair Hellmann, que há tempos digo que Nonato tem vaga de titular no time, entre outras coisas, mas é preciso admitir que, mesmo por linhas tortas, o time vem crescendo e encontro novas formas de vencer as partidas, especialmente dentro de seu território. O resultado disso são duas vitórias seguidas no Beira-Rio e uma tranquilidade para seguir disputando competições paralelas longe do Z-4 e sem desgarrar dos líderes.

As duas vitórias em casa – e não foram contra qualquer adversário – mostraram um Odair mais ousado, deixando o time jogar e não apenas praticando aquele futebol de espera, por uma bola, como se diz.

Mas além dos fatores citados ali acima, o que mais isso significa na prática? Significa que o Colorado ganha margem para um tropeço aqui, outro ali, que ganha o direito de sonhar com algo mais que uma simples vaga na Libertadores (troféu tão almejado pelos gaúchos nas últimas décadas), desde que busque pontos longe de Porto Alegre. Vencer Flamengo e Cruzeiro como venceu, mostrando evoluções, permite que, somando pontos longe de casa sempre que possível, o time de Odair se mantenha na ponta de cima da tabela enquanto resolve outras paradas, como a Copa do Brasil. Além disso, a pausa para a Copa América dará ao técnico a oportunidade de entrosar novos titulares que eventualmente surjam, como Nonato, e testar outras opções sem aquela pressão de ter que acertar (nesse caso vencer) todos os jogos.

É cedo pra tudo, inclusive pra dizer que Zeca está rendendo mais, que Nonato vai ficar com a vaga de Patrick, que o Inter vai manter a pegada e seguir na mesma batida atrás do líder, mas, vamos combinar, que jogando bem fica muito mais fácil de correr atrás de algo maior, e isso inclui a Libertadores, mas futebol é momento, e se tem algo que o torcedor não pode se queixar é do momento. Basta saber aproveitá-lo, e essa tarefa tem ligação com a casamata, onde fica o homem que escala e decide como o time deve se portar em campo.

Já são duas vitórias seguidas em casa. Foto: Ricardo Duarte/Internacional

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